Aos
que se propõem a se relacionar com este material...
Q ue busquem o transparente, o oculto, o aparente, o branco do papel, as linhas não escritas, as linhas invisíveis, as conexões, a paciência, o incógnito, o clique del ratón, os sinais, a desordem...
Bons
Encontros
!



ENTRE_LINHAS_E_PARÊNTESES
No início de 2005,
pesquisando o programa de pós-graduação
em Educação da Universidade
Federal de Santa
Catarina – UFSC, descobri que estaria sendo
oferecido uma disciplina intitulada S.E. Estudos
Tópicos em Deleuze e
Guatari. Me interessei imediatamente
por cursá-la. O motivo
principal foi o de poder estudar
mais intensa e coletivamente
dois autores, aos quais
conhecia apenas por seu
conceito de rizoma
aplicado à estrutura do conhecimento.
Meu
primeiro encontro com
aquela palavra, no ano
de 2002, não foi diretamente
a partir de seus autores
mas através dos textos:
A
transversalidade para além da interdisciplinaridade de Sílvio Gallo
e Ensinando a turma toda
– as diferenças na escola. de Maria
Teresa Eglér Mantoan.
Na época,
eu já vinha
trabalhando por três anos
como coordenador de núcleos
de Educação de Jovens
e Adultos, inicialmente
no Rio Tavares e posteriormente
na Bacia da Lagoa da
Conceição, localidades de Florianópolis, Santa
Catarina. O conceito, completamente
pertinente à prática educativa
em implantação, foi imediatamente
por mim explicitado em
textos produzidos. Juntamente
com o rizoma, a noção
de currículo emergente
proposta por
Malaguzzi na região de Reggio Emilio ao norte
da Itália
compunham um esboço teórico
metodológico da Educação que
praticava e procurava sistematizar.
A oportunidade
veio portanto em
excelente momento por
dois motivos principais.
O primeiro porque colaboraria para
fundamentar a prática de seis
anos com mais
argumentações filosóficas sobre
o construir currículos. O segundo
foi e ainda é de produzir, construir
“bons encontros” (palavras
do cotidiano do prof. Norberto), acontecimentos
e intercessores de forma a poder
expor, debater, incentivar
a curiosidade pela prática
do núcleo de Educação
de Jovens e Adultos
do núcleo Tapera ao qual
coordeno em 2005.
Percebo, hoje,
que fui muito mais
longe, com muito
mais velocidade, com
atributos bem diversos
do que poderia imaginar
a prior. Fui em pensamentos,
em encontros com
pessoas e coisas, em
discurso, em potência,
em movimentos incontroláveis
e imprevisíveis a prior. Um
antes, um depois,
links de fuga, textos
construídos e reconstruídos, textos incompletos,
textos-projeto, pinçamentos múltiplos...
Um pouco de tudo
isto é o que compõe este
trabalho que, apresentado numa forma
pouco convencional, não
deixou de ser, sempre, uma
divertida travessia por
desafios.
Agradecendo a tudo
e a todos, convido, aos que
se propuserem a se relacionar com
este material, que
busquem o transparente, o oculto,
o aparente, o branco
do papel, as linhas não
escritas, as linhas invisíveis,
as conexões, a paciência,
o incógnito, o clique
del ratón, os sinais, a desordem...
Bons
encontros! Boas viagens!
José
Manoel Cruz Pereira
Nunes
Julho
de 2005
Florianópolis



O

TEXTOS COMPOSTOS E
RECOMPOSTOS NO INTERMEZZO
CURRÍCULO
EMERGENTE E RIZOMÁTICO
Não se trata de buscar a integração dos saberes.
Importa fazer rizoma. Viabilizar conexões e conexões; conexões sempre novas. Fazer rizoma com os alunos, viabilizar rizomas entre os alunos, fazer rizomas com projetos
de outros professores. Manter os projetos abertos:
"um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo."
(DELEUZE, e GUATTARI, Félix. Mil Platôs 1. São Paulo: Ed.
34, 1995, p. 37.)”
EXEMPLOS
DE ALGUNS CURRÍCULOS EMERGENTES EM 2005
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE,
COMO ASSIM?
Conceito,
acontecimento, multiplicidade e agenciamentos. Que
discurso é este de educação
de qualidade?
ALICE E MAIS ALGUÉM NO MUNDO DAS
MARAVILHAS
Lógica
do sentido, Lewis Carrol, meu
trabalho, meu mundo,
paradoxos...
AÇÃO E REAÇÃO EM SALA DE AULA
O que
o professor entende por sua
ação e reação na sua
sala de aula. Um
ensaio completamente inacabado.
ESTRATÉGIAS DE IMPLANTAÇÃO
E ASSESSORAMENTO DO TRABALHO COM PESQUISA EM NÚCLEOS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E
ADULTOS
– um esboço preliminar, parcial e provisório
“ Nunca se sabe
de antemão como alguém vai aprender – que amores tornam alguém bom em Latim, por meio de que encontros se é filósofo, em que dicionários se
aprende a pensar.” (DELEUZE, . Diferença e Repetição, Rio de Janeiro: Graal, 1998. p. 270)
ARMÁRIO DE
ROUPAS
O conhecimento
e o armário de roupas
com suas prateleiras,
cabides e gavetas.
PESQUISANDO A PESQUISA COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO
Como fazer uma pesquisa para os outros sobre o nosso próprio trabalho tendo-se em mente que “... impôs-se assim um campo de pesquisa cuja aposta, em toda a diversidade de
seus procedimentos, é simplesmente a de libertar a razão do triângulo mágico Crítica - Positivismo lógico - Fenomenologia transcendental.” (Alliez, Eric. Da Impossibilidade da
Fenomelogia: sobre a filosofia
francesa. São Paulo: Ed. 34, 1996, p. 32-33.)?
TEXTO PARA UM
INTERMEZZO POSTERIOR:
uma proposta
O problemático em Deleuze e a problematização em Paulo
Freire: intercessões, paralelos e interseções.
“O modo
do acontecimento é o problemático. Não
se deve dizer que há acontecimentos
problemáticos, mas que
os acontecimentos concernem exclusivamente
aos problemas e definem suas
condições. ... O acontecimento
por si mesmo
é problemático e problematizante.” (Deleuze, .
Lógica do sentido. São
Paulo: Perspectiva, 4ª ed. 2003. p. 57)
Será possível
pensar junto esta dupla
de militantes? Serão encontros
ou desencontros?
Tratam sobre os mesmos
conceitos? Se poderia
fundamentar filosoficamente a prática da liberdade,
da conscientização de Paulo Freire a partir das propostas
de Gilles Deleuze e Félix Guattari?
Procurar indícios,
investigar possíveis cruzamentos
nas obras destes grandes
educadores construtivistas, empiristas, críticos
é algo que me
fascina e que, tenho certeza,
poderá trazer possibilidades de potencializar
a nossa atuação
desterritorializante, política e de valor
coletivo, características
desta Educação Menor,
rizomática e libertária.
LINKS
DE FUGA
INTERNÉTICAS
Charles J. Stivale
-- A-F Summary of L'Abecedaire de Gilles Deleuze
Colóquio O Devir do Mestre - Entre
Deleuze e a Educação
Congrès international Marx III section écologie
Deleuze & Guattari on the Web
Deleuze e o
Impulso Alegórico
Deleuze
bibliografia
Editora 34
Educação
On-Line - Saberes, Transversalidade e Poderes
Educacaoonline.pro.br-saberes_transversidades.asp
Mapeando
a [complexa] produção teórica educacional
Filosofia da Diferença
Kinds of Thinking, Styles of Reasoning - Peters.pdf
TRANSVERSALIDADE
E MEIO AMBIENTE - palestra.pdf
FONDS
DOCUMENTAIRE GILLES DELEUZE - Deleuze A2.pdf
Growing Rhizomes and Collapsing Walls:
Postmodern Paradigms for Design Education
O
Computador na Escola
Links para textos de
Deleuze
Lyotard
Morre
Felix Guattari, filósofo e psicanalista francês. -
Estadao.com.br
Novos Paradigmas do
Conhecimento
O Espaço-tempo Curvo da Relatividade Geral
Signe,
temps et conscience Gilles
Deleuze et António Damásio
Sumário da revista
Educação & Realidade vol. 272 da UFGRS
The Postmodern Condition by
Jean-Francois Lyotard. 1979
PINÇANDO INTERCESSÕES
Foram extraídas passagens de vários textos de diversos autores, em vários livros. Permeio algumas observações e grifos que no entanto são a mínima parte deste material. A importância dos mesmos está ao que se incorporou em minhas produções textuais anexadas em outras seções assim como às inúmeras conexões e linhas de fuga criadas neste movimento.
Uma sugestão de utilização para o leitor deste material seria a busca de suas necessidades através do comando de “localizar” que usualmente pode ser ativado com a tecla de atalho: “ctrl + L”. Uma palavra como por exemplo ‘rizoma’ será encontrada mais facilmente. De modo algum se sugere a leitura linear e / ou desinteressada. Há necessidade de querer buscar algo.
Uma possibilidade aleatória seria com o comando “ctrl + Y” e buscando pelo número da página, por indicador etc. Pelo indicador aparecerão várias palavras chaves que podem conectar o seu interesse à construção de seu próprio rizoma.
De maneira alguma procurei trazer linearidade e concisão a este material. O texto impresso esconde possibilidades e conexões múltiplas. Sugiro, para potencializar ao extremo os recursos deste texto, que o leitor se utilize do software Winword 97 e que esteja conectado à internet.
Uma introdução, um desenvolvimento, uma conclusão, sumário e bibliografia para este esforço são deixados à opção e à descoberta no inesperado das partes e no impossível do todo.
Oitava Série: Da estrutura
(Deleuze, Gilles. Lógica
do sentido. São
Paulo: Perspectiva, 4ª ed. 2003.)
Pg. 51
“Dadas duas séries, uma significante e outra
significada, uma apresenta um
excesso e a outra uma
falta, pelos quais
se relacionam uma a outra em
eterno desequilíbrio, em
perpétuo deslocamento.
[...] O significado
em geral, porém,
é da ordem do conhecido;
[...] A série significante
organiza uma totalidade preliminar,
enquanto que a significada
ordena totalidades produzidas. “O Universo
significou bem antes de termos
começado a saber o que ele
significava...”
Pg. 52
“ Eis por
que a lei pesa
com todo o seu
peso antes mesmo
que saibamos qual é o
seu objeto e em
que se possa jamais
sabê-lo exatamente. É este
desequilíbrio que torna
as revoluções possíveis;
não que as revoluções
sejam determinadas pelo progresso
técnico, mas elas
se tornam possíveis por
este abismo entre
as duas séries, que
exige reorganizações da totalidade
econômica e política em
função dos avanços do
progresso técnico.
Há, por conseguinte, dois
erros. O mesmo, na realidade:
o do reformismo ou da
tecnocracia, que
pretende promover ou impor
organizações parciais
das relações sociais em
função do conhecido em
função do ritmo das aquisições
técnicas; o do totalitarismo,
que pretende constituir uma totalização
do significável e do conhecido em
função do ritmo da totalidade
social existente em tal
momento. É por isso
que o tecnocrata é o amigo
natural do ditador, computadores
e ditadura. O revolucionário,
porém, vive na distância
que separa o progresso
técnico e a totalidade social,
aí inscrevendo seu sonho
de revolução permanente.
Ora, este sonho
é ele próprio ação,
realidade, ameaça efetiva
sobre toda a ordem
estabelecida e torna possível
aquilo com que
ele sonha.”
[...] Voltemos ao paradoxo de
Lévi-Strauss: dadas duas séries, significante
e significada, há um excesso
natural da série significante,
uma carência natural da série
significada.
[...] Treco [...] mana
[...] cuja única função
é de preencher uma distância entre
o significante e o significado.”
Pg. 53
“ É preciso compreender,
ao mesmo tempo, que
duas séries estão marcadas uma por
excesso outra por
falta e que as duas determinações
se trocam sem nunca
se equilibrar.
[...] A estas relações, ou
antes, aos valores
destas relações, correspondem acontecimentos
muito particulares, isto
é, singularidades designáveis na estrutura: exatamente
como no cálculo
diferencial, onde repartições
de pontos singulares
correspondem aos valores das relações
diferenciais². Por exemplo,
as relações diferenciais entre
fonemas designam singularidades em
uma língua, na “vizinhança”
das quais se constituem as sonoridades e
significações características da língua.
Mais ainda,
observa-se que singularidades atinentes
a uma série determinam de uma maneira
complexa os termos da
outra série.
As duas séries
heterogêneas convergem para um elemento
paradoxal, que é como
o seu “diferenciante”. Ele
é o princípio
de emissão das singularidades. Este
elemento não pertence
a nenhuma série, ou antes,
pertence a ambas ao mesmo
tempo e não pára de circular
através delas.
Pg.54
“ Ele aparece em
uma série como um
excesso, mas coma condição de aparecer
ao mesmo tempo na outra
como vazia; e se é falta
na outra é a título
de peão supranumerário ou
de ocupante sem casa.
Ele é ao mesmo tempo
palavra e objeto: palavra
esotérica, objeto exotérico.
[...] Pois o sentido
não se confunde com a
significação mesma, mas
ele é o que se
atribui de maneira a determinar o
significante como tal
e o significado como tal.
Concluímos que não há
estrutura sem séries,
sem relações entre
termos de cada série,
sem pontos singulares
correspondendo a estas relações; mas,
sobretudo, não há estrutura
sem casa vazia,
que faz tudo funcionar.
Nona série: Do problemático
Pg.55
“ A singularidade faz parte
de uma outra dimensão,
diferente das dimensões
da designação, da manifestação ou
da significação. A singularidade é essencialmente pré-individual,
não pessoal,
aconceitual.
[...] Ela é neutra.”
Pg. 56
“ Se as singularidades são
verdadeiros acontecimentos, elas
se comunicam em um só
e mesmo Acontecimento
que não cessa de
redistribuí-las e suas transformações formam uma história.
[...] Os acontecimentos são
ideais. Novalis chega
a dizer que há duas ordens
de acontecimentos: uns ideais,
os outros reais e imperfeitos,
por exemplo o
protestantismo ideal e o luteranismo
real³. Mas a distinção
não é entre duas espécies
de acontecimentos, mas
entre o acontecimento,
por natureza ideal
e sua efetuação
espaço-temporal em um
estado de coisas. Entre
o acontecimento e o acidente.
Os acontecimentos são
singularidades ideais que
comunicam em um só
e mesmo Acontecimento;
assim possuem uma verdade eterna
e seu tempo não
é nunca o presente que
os efetua e os faz existir, mas o
Aion ilimitado, o Infinito em
que eles subsistem e
insistem. Os acontecimentos são
as únicas idealidades; e reverter o platonismo
é, em primeiro lugar,
destituir as essências para
substituí-las pelos acontecimentos
como jatos de
singularidades. Uma dupla luta
tem por objeto impedir
toda confusão dogmática
do acontecimento com
a essência, mas também
toda confusão empirista
do acontecimento com
o acidente.”
Pg. 57
“ O modo do acontecimento
é o problemático. Não
se deve dizer que há acontecimentos
problemáticos, mas que
os acontecimentos concernem exclusivamente
aos problemas e definem suas
condições.
[...] O acontecimento por
si mesmo é problemático
e problematizante.
[...] Parece, pois, que
um problema tem sempre
a solução que merece segundo
as condições que o
determinam enquanto problema;
e, com efeito, as
singularidades presidem à gênese das soluções
da equação.
[...] Problemático qualifica sempre
as objetividades ideais.
Kant foi, sem dúvida,
o primeiro a fazer do problemático
não uma incerteza passageira,
mas o objeto próprio
da Idéia e com isto
também um horizonte
indispensável a tudo
o que acontece ou
aparece.”
Pg. 58
“ Não se trata
de quantificar nem de medir
as propriedades humanas, mas,
de um lado, de problematizar
os acontecimentos humanos
e, de outro, de desenvolver como
acontecimentos humanos
as condições de um problema.”
Pg. 59
“ Não se pode falar
dos acontecimentos a não
ser nos problemas
cujas condições determinam. Não
se pode falar dos acontecimentos
senão como de
singularidades que se desenrolam em
um campo problemático
e na vizinhança das quais
se organizam as soluções [...] Mas,
se as repartições de singularidades que
correspondem a cada série
formam campos de problema,
como caracterizaremos o elemento
paradoxal que
percorre as séries, faz com
que elas ressoem, se
comuniquem e se ramifiquem e que comanda
a todas retomadas e transformações, a todas as
retribuições? Este elemento
deve ele próprio ser
definido como o lugar
de uma pergunta. O problema é determinado
pelos pontos singulares que
correspondem às séries, mas
a pergunta, por
um ponto aleatório que
corresponde à casa vazia
ou ao elemento móvel.
[...] A pergunta se desenvolve em
problemas e os problemas
se envolvem em uma pergunta fundamental.
E assim como as soluções
não suprimem os problemas,
mas aí encontram, ao contrário,
as condições subsistentes sem
as quais elas não
teriam nenhum sentido,
as respostas não
suprimem de forma nenhuma a pergunta, nem
a satisfazem e ela persiste através
de todas as respostas.”
Proust
e os Signos.
Gilles Deleuze. 1964. Forense Universitária.
2003. 2ª ed.
CAPÍTULO I – Os Tipos
de Signos
La Recherche du temps
perdu é voltada para o futuro e não
para o passado (p.4)
Pg. 4
“ A obra de Proust é baseada
não na exposição da memória,
mas no aprendizado
dos signos.”
“ Tudo que
nos ensina alguma coisa
emite signos, todo ato
de aprender é uma interpretação
de signos ou de hieróglifos.”
(ir para pg. 40)
Pg. 5
“ A unidade de todos
os mundos está em que
eles formam sistemas
de signos... não
se aprende nada, se não
por decifração e interpretação
(dos signos). Mas a pluralidade
dos mundos consiste no fato
de que estes signos
não são do mesmo
tipo, não aparecem da
mesma maneira, não
podem ser decifrados do mesmo modo,
não mantêm com o seu
sentido uma relação idêntica.”
Quatro tipos de signos.
Signos ao mesmo
tempo unidade e pluralidade
em a Recherche.
Mundanidade – signos
que se diferenciam, em
um mesmo momento,
segundo classes e “famílias
espirituais”.
Pg. 6
Signo mundano
não remete a coisa alguma,
significação transcendente ou
conteúdo ideal...
Não
se pensa, não se age,
mas emite-se signos.
Eles
são vazios... a todo
instante alteração e mudança
(pg. 17)
“ O aprendizado seria imperfeito
e até mesmo impossível
se não passasse por eles.”
Pg. 7
Amor
Amar é procurar explicar,
desenvolver esses mundos
desconhecidos que
permanecem envolvidos no amado. É por
essa razão que é tão
comum nos
apaixonarmos por mulheres
que não são
do nosso mundo nem
do nosso tipo. Há, portanto,
uma contradição no amor.
Não podemos interpretar os signos
de um ser amado
sem desembocar em
mundos que se
formaram sem nós, que
se formaram com outras pessoas,
onde não somos, de início,
senão um objeto
como os outros.
Pg. 8
Primeira lei
... subjetivamente o ciúme
é mais profundo do que
o amor, ele contém o verdadeiro
amor.
Pg. 9
Signos amorosos
são mentirosos.
...suscitam... o sofrimento de um aprofundamento.
Pg. 10
Objetivamente amores
intersexuais são menos
profundos que a homossexualidade.
Segredo da amada
é segredo de Gomorra. Segredo
do amante segredo de
Sodoma.
Terceiro mundo
é o das impressões ou
das qualidades sensíveis.
Uma vez experimentada (uma qualidade
sensível), a qualidade
não aparece mais como
uma propriedade do objeto
que a possui no momento,
mas como “signo
de um objeto completamente
diferente, que
devemos tentar decifrar através
de um esforço sempre
sujeito a fracasso”.
Pg. 12
São signos
verídicos, signos materiais.
Pg.13
Mundo das Artes
é o último mundo dos signos,
e esses signos, ... como
que desmaterializados, encontram seu
sentido numa essência
ideal.
Mas sem
a Arte nunca poderíamos
compreendê-los, (signos sensíveis)...
Todos os signos
convertem para a Arte, todos
os aprendizados, pelas mais
diversas vias, são aprendizados
inconscientes da própria
Arte. No nível mais
profundo, o essencial
está nos signos da Arte.
CAPÍTULO II – Signo
e Verdade
Pg. 14
“ Nós só
procuramos a verdade quando
estamos determinados a fazê-lo em
função de uma situação
concreta, quando
sofremos uma espécie de violência
que nos leva
a essa busca”.
Pg.15
“ O erro da Filosofia
é pressupor em nós
uma boa vontade de pessoas,
um desejo, um
amor natural pela
verdade.”
“ As idéias da inteligência
só valem por sua
significação explícita, portanto
convencional.”
... somente é profundo
o sentido, tal como
aparece encoberto e implícito
num signo exterior.
Método x
Proust >>> a pressão da “coação”
e “acaso” dos encontros
nos força a pensar.
O signo que
é o objeto dos encontros
e é ele que exerce sobre
nós a violência.
“ Eu quero a verdade.”
... Ele quer interpretar,
decifrar, traduzir, encontrar
o sentido do signo.
Pg.16
Verdade sempre
uma verdade do tempo.
Tempo é plural.
4 estruturas.
Tempo que
se perde (mundano); tempo
que se redescobre (qualidade
sensíveis); tempo
perdido (amor); tempo
redescoberto (Arte) imagem da eternidade.
Tempo original
absoluto, verdadeira eternidade
que se afirma na Arte. (pg. 23)
Para cada espécie
de signo há uma linha
de tempo privilegiado que
lhe corresponde, em que
o pluralismo multiplica as combinações.
Pg. 20
“ A revelação final
de que há verdades a
serem descobertas nesse tempo
que se perde é o resultado
essencial do aprendizado.”
... Ora, um
ser medíocre ou
mesmo um estúpido,
desde que o amemos, é
mais rico em
signos do que o espírito
mais profundo, mais
inteligente.” Produz signos
que devem ser decifrados.’
Pg. 21
“ Nunca se sabe como
uma pessoa aprende; mas, de qualquer
forma que aprenda, é sempre
por intermédio de signos,
perdendo tempo, e não
pela assimilação de conteúdos
objetivos.”
“ Nunca se aprende fazendo como
alguém, mas fazendo com
alguém, que não
tem relação de semelhança com
o que se aprende.’
“ Mas perder
tempo não é o suficiente.
Como vamos extrair as verdades
do tempo que se
perde, e mesmo as verdades
do tempo perdido? Por
que Proust chama
estas verdades de “verdades
da inteligência”? De fato, elas
se opõem às verdades que
a inteligência descobre quando trabalha
de boa vontade, põe-se em
ação e recusa-se a perder tempo.”
... falta-lhes “necessidade”
Pg. 22
“Em Proust, o pensamento
geralmente aparece sob
várias formas: memória,
desejo, imaginação, inteligência,
faculdade das essências... Mas,
no caso do tempo que
se perde e do tempo perdido, é a inteligência,
e apenas ela, é capaz
de tornar possível o esforço
do pensamento, ou de interpretar
o signo; é ela que
o encontra, contanto que
venha “depois”.”
“ as idéias da inteligência
são muitas vezes
“sucedâneas” do desgosto. A dor força
a inteligência a pesquisar.”
Pg. 23
“ A cada espécie
de signo corresponde, sem
dúvida, um linha
de tempo privilegiada. Os signos
mundanos implicam principalmente
um tempo que
se perde; os signos do amor
envolvem particularmente o tempo
perdido. Os signos sensíveis
muitas vezes nos
fazem redescobrir o tempo,
restituindo-o no meio do tempo
perdido. Finalmente, os signos
da arte nos trazem um
tempo redescoberto, tempo
original absoluto que
compreende todos os outros.”
... “ os mundos de signos,
os círculos da Recherche, se desdobram, então,
segundo linhas do tempo,
verdadeiras linhas de aprendizado;
mas, nessas linhas, eles
interferem uns nos outros,
reagem uns sobre os outros.
Sem se corresponderem ou simbolizarem, sem
se entrecruzarem, sem entrarem em
combinações complexas que
constituem o sistema da verdade,
os signos não se
desenvolvem, não se explicam, peças
linhas do tempo.”
CAPÍTULO III – O Aprendizado
Pg. 25
A obra de Proust é voltada para
o futuro e para os progressos
do aprendizado.
Idéia fundamental
“ de que o tempo forma
diversas séries e comporta
mais dimensões do que
o espaço: o que é ganho
em uma não é ganho na outra.”
“ Ser sensível
aos signos, considerar o mundo como
coisa a ser decifrada é, sem
dúvida, um dom.
(capacidades, habilidades
e potência) Mas esse
dom correria o risco
de permanecer oculto em
nós mesmos se não
tivéssemos os encontros necessários;
e esses encontros
ficariam sem efeito
se não conseguíssemos vencer certas
crenças.”
1ª crença: atribui
ao objeto os signos
de que é portador.
(objetivismo) “ Pensamos que o próprio
“objeto” traz o segredo
do signo que emite e sobre
ele nos fixamos. Dele
nos ocupamos para decifrar
o signo.”
“ Cada uma de nossas impressões
tem dois lados: “Envolta
uma parte pelo objeto,
prolongada em nós a outra,
só de nós conhecida.”
Cada signo tem duas metades:
designa um
objeto e significa
alguma coisa diferente.”
Pg. 27
“ O “objetivismo” não poupa
nenhuma espécie de signo.”
... “ É, ainda, a direção do prazer
e da atividade prática, que
se baseiam na posse das coisas
ou na consumação dos objetos.”
“ A inteligência deseja a objetividade, como a percepção o objeto.”
Pg. 28
“ ao mesmo tempo
que a percepção se
dedica a apreender o objeto sensível,
a inteligência se dedica a apreender as
significações objetivas. Pois a percepção
acredita que a realidade deva
ser vista, observada, mas
a inteligência acredita que a verdade
deva ser dita e formulada.
... “ ao duo tradicional da amizade
e filosofia Proust oporá um
duo mais obscuro
formado pelo amor e a arte.”
Pg.29
“ Um amor
medíocre vale mais
do que uma grande amizade:
porque o amor é rico
em signos e se nutre
de interpretação silenciosa.
Uma obra de arte vale
mais do que uma obra
filosófica, porque o que
está envolvido no signo é mais
profundo que todas as
significações explícitas; o que nos
violenta é mais rico
do que todos os frutos
de nossa boa vontade ou
de nosso trabalho aplicado; e mais importante
do que o pensamento é
“aquilo que nos faz pensar”.”
(grifo meu)
Pg. 30/31
“São célebres
os ódios de Proust:
contra Sainte-Beuve, para
quem a descoberta da verdade
não se separa de uma “conversa,
de um método de colóquio,
pelo qual se pretende extrair
a verdade dos dados mais
arbitrários, a começar pelas
confidências daqueles que pretendem ter
conhecido bem alguém;
contra os Goncourt, que
decompõem um personagem
ou um objeto,
examinam-no, analisam sua arquitetura,
refazem suas linhas e
projeções para delas tirar
verdades exóticas (os Goncourt também
acreditavam no prestígio da conversação);
contra a arte
realista ou popular que
acredita nos valores inteligíveis,
nas significações bem definidas e nos
grandes temas. É preciso
julgar os métodos pelos
seus resultados: por
exemplo, as coisas lastimáveis
que Sainte-Beuve escreveu sobre
Balzac, Stendhal ou Baudelaire. O que
podem os Goncourt entender a respeito
do casal Venturin ou
de Cottard? Nada, se nos
ativermos ao pastiche (escrito)
da Recherche. Eles relatam e analisam o que
foi expressamente dito,
mas passam ao largo
dos signos mais evidentes,
signo da burrice de
Cottard, mímica e símbolos
grotescos da Sra. Verdurin. A arte
popular e proletária
se caracteriza por considerar os operários
uns imbecis.
É decepcionante, por natureza,
uma literatura que interpreta os signos
relacionando-os com objetos
designáveis (observação e descrição),
que se cerca de garantias
pseudo-objetivas do testemunho e da comunicação
(conversa, pesquisa), que
confunde o sentido com
significações inteligíveis, explícitas e
formuladas (grandes temas).”
Pg. 34
“ Cada linha
de aprendizado passa por
esses dois momentos:
a decepção provocada por
uma tentativa de interpretação objetiva
e a tentativa de remediar essa decepção
por uma interpretação
subjetiva, em que
reconstruímos conjuntos associativos.”
... “ O sentido do signo
é sem dúvida mais
profundo do que o sujeito
que o interpreta, mas
se liga a esse sujeito,
se encarna pela metade
em uma série de associações
subjetivas.”
Pg. 35
... “ o que existe além
do objeto e do sujeito?”
... é um mundo,
um meio espiritual
povoado de essências.” (alógicas ou
supralógicas)
“ Além dos objetos
designados, além das verdades
inteligíveis e formuladas, além
das cadeias de associação
subjetivas e ressurreições por
semelhança ou contigüidade, há as
essências, que
alógicas ou supralógicas. Elas
ultrapassam tanto os estados
da subjetividade quanto as propriedades
do objeto. É
a essência que
constitui a verdadeira unidade do signo e do sentido; é ela que constitui o signo como irredutível ao objeto que o emite; é ela que
constitui o sentido como irredutível ao sujeito que o apreende. Ela é a última palavra do aprendizado ou a revelação final.” (grifo
meu)
Pg. 36
“ Os signos mundanos,
os signos amorosos e mesmo
os signos sensíveis são
incapazes de nos revelar
a essência: eles nos
aproximam dela, mas nós
sempre caímos na armadilha do objeto,
nas malhas da subjetividade. É apenas
no nível da arte que
as essências são
reveladas.”
CAPÍTULO IV – Os Signos
da Arte e a Essência
Pg. 37
“ Qual é a superioridade
dos dignos da Arte com
relação a todos os outros?
É que todos os outros
são signos materiais.”
Pg.38
... são materiais,
não apenas por
sua origem e pela
maneira com aparecem
semi-encobertos no objeto, mas
também por seu
desenvolvimento ou sua
“explicação”.
... cada vez
que intervém a memória,
a explicação dos signos
comporta ainda alguma
coisa de material.
... a Arte nos
dá a verdadeira unidade: unidade
de um signo imaterial
e de um sentido inteiramente
espiritual. A essência
é exatamente essa unidade
do signo e do sentido,
tal qual é revelada
na obra de arte.
Pg. 39
“ O que é uma essência,
tal qual é revelada
na obra de arte? É uma diferença,
a Diferença última e absoluta.
É ela que constitui o
ser, que nos
faz concebê-lo.”
... “ela é alguma coisa
em um sujeito...:
diferença interna, diferença
qualitativa decorrente da maneira
pela qual encaramos o
mundo” ...
Pg.40
“ cada sujeito
exprime o mundo de um
certo ponto
de vista. Mas o ponto
de vista é a própria diferença,
a diferença interna e
absoluta. Cada sujeito
exprime, pois, um mundo
absolutamente diferente
e, sem dúvida, o mundo
expresso não existe fora
do sujeito que o exprime (o que
chamamos de mundo exterior
é apenas uma projeção
ilusória, o limite uniformizante
de todos esses mundos
expressos).”
Pg. 41
“ Não é o sujeito
que explica a essência,
é, antes, a essência que
se implica, se envolve, se enrola no sujeito. Mais
ainda: enrolando-se sobre
si mesma ela
constitui a subjetividade. Não são
os indivíduos que
constituem o mundo, mas
os mundos envolvidos, as essências,
que constituem os indivíduos:
“Esses mundos que
são os indivíduos e que
sem a arte jamais
conheceríamos”. A essência não
é apenas individual,
é individualizante.”
“ Esta distinção entre
essência e sujeito é tão
importante que Proust
vê nela a única prova
possível da imortalidade
da alma.”
Pg. 44
“ Como a essência
se encarna em uma obra
de arte? Ou, o que
vem a dar no mesmo, como
um sujeito-artista consegue “comunicar”
a essência que o
individualiza e o torna eterno?
Ela se encarna nas matérias.”
Pg. 45
“A arte é uma verdadeira transmutação da matéria.
Nela a matéria se espiritualiza, os meios
físicos se desmaterializam, para refratar
a essência, isto é, a
qualidade de um mundo
original. Esse tratamento
da matéria é o “estilo”.”
“... a essência jamais
se confunde com um objeto;
ao contrário, ela
aproxima dois objetos inteiramente
diferentes, que
deixam perceber a qualidade no meio
revelador.”
Pg. 46
“ Uma essência é sempre
um nascimento do mundo;
mas o estilo é esse
nascimento continuado e refratado, esse nascimento
redescoberto nas matérias adequadas às essências,
esse nascimento como metamorfose
de objetos. O estilo não
é o homem: é a própria
essência.”
Pg. 47
“ A arte possui um
privilégio absoluto, que
se exprime de várias maneiras. Na arte,
a matéria se torna
espiritualizada e os meios desmaterializados. A obra de arte
é, pois, um mundo
de signos imateriais
e nada têm de opaco, pelo
menos para olho
ou ouvido artistas.
Em segundo lugar,
o sentido desses signos
é uma essência que se
afirma em toda a sua
potência. Em terceiro
lugar, o signo e o sentido,
a essência e a matéria
transmutada se confundem ou se unem numa adequação
perfeita. Identidade
de um signo como
estilo: esta é a característica
da própria obra de arte.
ESQUIZOANÁLISE DO CURRÍCULO
Clermont Gauthier
In Educação & Realidade.
UFRGS. Vol. 27(2) jul/dez. 2002. P. 146
Pg. 144
“ A essa primeira concepção
de um objeto (é “isso”
ou ele não
é “isso”) podemos opor uma segunda.
Em vez de pensar
em termos de gênero
e de espécie, inverteríamos essa concepção
e provocaríamos uma explosão do objeto,
ao concebê-lo como uma multiplicidade de agenciamentos possíveis. (grifo
meu) Trocaríamos, assim,
as competências pelas performances.
Nesse caso, entretanto,
não falaríamos mais
de currículo, mas
de agenciamentos curriculares. A forma, feita
de contornos bem delimitados,
cederia lugar aos diversos
agenciamentos do objeto. Do objeto
ou do ser do currículo
passaríamos a um devir-x do currículo.
A questão não seria mais
a de saber se esse ou
aquele problema está dentro
do domínio do currículo
ou não, mas,
antes, de experimentar no currículo,
de experimentar com o currículo,
de fazê-lo entrar em novos
agenciamentos, sem procurar
conformá-lo a uma definição prévia.
O novo agenciamento assim obtido não
passaria de mais uma parte,
de mais um rizoma.”
“ Nenhum
artista se preocupa em
conformar seu trabalho
a essa suposta “totalidade” que
seria a arte. O artista simplesmente
continua a produzir suas obras
sem pensar se vai esgotar
a definição de arte ou
sem pensar em
defini-la clara e distintamente.
Ao contrário, na maioria
dos casos, seu trabalho
consiste em romper com
a definição que dela
se tinha.”
Pg. 145
Várias concepções de currículo
Tanner e Tanner – após haverem feito
um inventário das
muitas definições, denunciam-nas como
sendo parciais e propõem .... que
essa definição completa do currículo
estaria num “justo ponto intermediário”...
o ser-do-currículo é a média.
McDonald – afirmou que uma definição
universalmente seria necessária,
indicando a sua...
Goulet – definição verdadeira
de currículo aquela que
é enunciada pela maioria
dos autores.
Zais – as definições se
eqüivalem e que deveríamos utilizá-las de acordo
com o contexto.
Schwab – sugeriu que
deixássemos de lado os debates
fúteis sobre as questões
de definição e que nos
ocupássemos dos problemas concretos:
posição astuciosa que,
ao mesmo tempo que
procura fugir à questão,
acaba, indiretamente, respondendo a ela.
Pg. 146
“ Espinoza abordou a definição
do objeto (ou do corpo,
o que é a mesma coisa)
de uma maneira bastante
original. Em vez
de tentar buscar a sua
essência, ele se
perguntou: o que pode um
corpo? De que ele
é capaz? Espinoza definiu a natureza
ou o real como
sendo uma substância única, mas
com uma infinidade de
atributos.”
“Um corpo
não é, pois, senão
um certo modo
de existência, senão
uma certa maneira de afetar
a substância.”
“ Ele está cheio
de devires potenciais.”
“ Ao currículo como
corpo, nós opomos uma
concepção do currículo
como superfície; ao currículo
como ser, nós
opomos uma concepção do currículo
como devir; ao currículo
como objeto claro
e distinto, nós
opomos uma concepção do currículo
como “obra aberta”,
isto é, como obra
fundamentalmente ambígua
sem, contudo, cair
no indiferenciado; a um plano
teleológico (Houaiss - que
relaciona um fato com sua causa final), nós
opomos um plano geométrico.”
“ O currículo como
plano geométrico não
tem natureza fixa, ele
não é obrigado a ter
objetivos, atividades
de aprendizagem, etc. ele até
pode ter essas coisas, mas
elas se tornam acessórias. O que
importa é que ele pode ter atributos,
ter componentes, entrar
em agenciamentos variados.”
Pg. 147
“ O inconsciente psicanalítico
é para o inconsciente maquínico aquilo
que o currículo como
totalidade é para o currículo
como máquina.”
“... o inconsciente tem sido de duas maneiras:
ou com o triangulação
edipiana ou como
agenciamento maquínico.”
“ Como triangulação edipiana,
o inconsciente é uma estrutura, um
mecanismo ( isto é, um
sistema de ligações entre
termos dependentes). Esse
mecanismo se articula em torno
de três termos – pai,
mãe e filho - e de dois processos
fundamentais – a identificação
da criança com a pessoa
adulta e seu impulso
amoroso para com
ela.”
“ O inconsciente psicanalítico
é, pois, inicialmente, um
inconsciente familial e está duplamente
estruturado na falta.”
“ Por máquina
entendemos um conjunto
de “vizinhança” entre
termos heterogêneos independentes.
O que isso quer
dizer? Isso significa conceber
o inconsciente não como
um desenho figurativo
que representa a família,
mas como uma pintura
moderna, um desenho
puramente abstrato,
no qual pode haver, obviamente, componentes
familiais, mas também
outras coisas.”
Pg. 148
“ E o currículo nisso tudo?
A Literatura sobre currículo
tem procurado, constantemente delimitar
o contorno dessa disciplina,
fixar-lhe uma essência, uma identidade.”
“... É possível, entretanto,
contrariamente, conceber o currículo
como Deleuze e Guatari concebem o inconsciente:
como máquina.
Máquina que não
para de produzir, máquina
produzida por sua produção.
Máquina que não
se pode definir a priori. E mesmo
que o façamos a posteriori, nem
por isso ela
pára de efetuar novas ligações,
nem por isso
ela se torna fixa.”
Pg. 149
“ Podemos imaginar melhor
agora a relação disso
com a análise do programa
escolar. As grades de
análise do programa
impedem a produção de programas diferentes,
obrigam os programas a se moldar
a uma forma particular e
totalizante. Essas grades exercem o papel
de uma totalidade, relativamente
à qual os programas
existentes estão em falta,
exatamente da mesma forma
que os enunciados de um
psicanalizado estão em falta
quando comparados à grade
edipiana. Tudo se passa
como se houvesse uma imagem
de programa que
exercesse o papel de norma e em
virtude da qual todos
os programas deveriam ser
comparados, exatamente da mesma
forma que, ao nível
do inconsciente.
Pg. 150
Dupla tarefa
da esquizoanálise do currículo:
- destruição, desfazer
os conjuntos unificadores:
a criança é isso. A escola
é aquilo, aprende-se dessa forma.
A sociedade é isso.
- imaginar, frente
ao que já parecia
antecipadamente amarrado, índices de desterritorialização
e linhas de fuga.
Hack
Catapan, Araci. TERTIUM:
o novo modo do ser, do saber e do apreender. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001.
Tese foi julgada aprovada para obtenção do título de
doutora em Engenharia de Produção no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina.
Pg. 15
“São dois modos de individuação, dois modos de temporalidade muito diferentes. De
um lado, Cronos,
“o tempo da medida, que fixa as coisas e as pessoas, desenvolve uma forma e determina um sujeito. Cronos é o tempo que reina no pólo paranóico: é o tempo do relógio, do calendário, do
compromisso; é o tempo da memória, que faz história. O outro tempo, o outro modo de temporalidade é Aion, “o tempo do acontecimento puro e do devir”, “a linha flutuante que só conhece velocidades ...”. Entrar em Aion é “cessar de ser sujeitos para devir acontecimentos”.”
Deleuze & Guattari
Pg. 14
“ Acontecimento: é o processo dinâmico que atualiza a
Idéia e se dá por uma ampla diferenciação
das espécies, das partes e dos caracteres, supondo dinamismo espaciotemporal.”
Pg. 23
“ Acredita-se que se há algo de novo a ser engendrado nesse espaço é a
possibilidade de se desenvolver conceitualmente uma idéia de currículo topológico, que comporte o
modo transversal do
saber. Dito de outro modo, compreender o espaço do saber transversal no sentido
interacional, cooperativo, compartilhado, seja a partir do conceito mais avançado, seja do saber cotidiano, sem entretanto estar limitado a uma organização estrutural hierarquizada. Construir um espaço de conhecimento
processual, em que sujeitos e objetos
interajam, implicando-se e autodeterminando-se transversalmente. Nessa concepção o currículo não se limita a uma grade de disciplinas e conteúdos, mas a uma rede de significados,
de concepções, de conceitos, de valores, de saberes, que se interconectam, engendrando novos conhecimentos.
Para isso, é preciso admitir que o saber transversal
impregna todas as situações de aprendizagem trabalhadas. O sentido do saber transversal
atravessa, interpela, mistura, confronta inferências,
as mais variadas. Em outras palavras, dir-se-ia que se trata de uma necessidade emergente de superar a pedagogia das disciplinas e
dos conteúdos pela pedagogia do conceito (Deleuze & Guattari, 1997).”
Pg. 24
“ O processo de conhecimento é
encarado como um processo dinâmico que evolui pela intensidade do
acontecimento entre Idéia e Conceito, sem no entanto limitar-se a finalidades preestabelecidas.”
Pg. 26
“ Idéia: unidade visível na
multiplicidade, tem caráter privilegiado em relação a multiplicidade, pelo que é freqüentemente
considerada a essência ou a substância do que é multíplice. Esse é o ponto de vista de Platão, Aristóteles e Kant (Abbagnano, 1998).
Em Deleuze (1988:332) a Idéia contém todas as variedades de relações
diferenciais e todas as distribuições
de ponto singulares
coexistindo nas diversas ordens e
'perplicadas' umas nas outras. Idéia é o virtual que se atualiza pela diferenciação.
Idéia e virtual são completamente determinados
(332).”
“ Conceito: conceito é ato de pensamento operando à velocidade infinita (...)
é absoluto e relativo,
define-se pela sua consistência. Não tem referência: ele é
auto-referente, põe-se a si mesmo e põe o seu objeto, ao mesmo tempo que é criado, porém não confere às condições de verdade (Deleuze
& Guattari, 1997).”
Pg. 27
“ Deleuze & Guattari (1997) analisam o Conceito a partir de três fases ou de três idades. As idades do Conceito são a da enciclopédia, a da pedagogia e a da formação profissional comercial. A idade da enciclopédia refere-se à fase da filosofia pós-kantiana, que gira em torno de conceitos universais e remete à pura subjetividade. A idade da pedagogia do conceito de que tratam os autores propõe construir conceitos a partir da análise das condições de criação como fatores de momentos que permanecem singulares. A pedagogia do Conceito toma como ponto singular a relação entre o Conceito e a Criação: esses elementos se implicam, se remetem um ao outro constantemente,
o Conceito entendido como o mundo do possível, que ainda não é real mas não deixa de existir, de ser criado.”
Pg. 41
“ Pois enquanto através dos três planos da filosofia, das
artes e das ciências pode-se traçar uma secante para varar o caos, a TCD parece traçar um plano de
mediação do caos, possibilitando uma jangada para o náufrago no dilúvio de informações. A
navegação nesse dilúvio requer cada vez mais um sujeito autônomo, sensível e hábil em selecionar informações, realizar simulações, perceber acontecimentos
e reelaborar conceitos.” (sobre as TCD’s ver pg. 53)
Pg. 117
“ Este quadro provoca
mudança no processo pedagógico, requerendo alteração na forma como os cursos atualmente são
organizados e como as disciplinas são ministradas. A estrutura atual não considera a possibilidade da dinâmica e da criação no processo pedagógico; é estruturada linearmente e de forma fragmentada e
hierarquizada. O plano pedagógico emergente pressupõe um tipo de currículo topológico, ou pelo menos que admita a
transdisciplinaridade, ou, melhor ainda, a transversalidade.”
“ Nesta proposta o trabalho pedagógico do professor
desenvolve-se baseado na necessidade do
aluno que tem de aprender, por exemplo, a conceituação física da transferência de calor e por que aquela equação representa um fenômeno físico,
simulando o fenômeno físico,
alterando suas variáveis,
observando os desdobramentos e o sentido não apenas numericamente mas visualmente.”
Pg. 146
“ Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas inter-ser, intermezzo.
A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança,
unicamente aliança...A árvore impõe o
verbo ‘ser’, mas o rizoma tem como tecido a conjunção
‘e...e...e’ há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. Para onde vai o sujeito? De onde vem o objeto?
Deleuze & Guattari”
Para aprofundamentos: ver páginas 16 –
71; 111 – 121 e 183 a 201.
Entrevista sobre Mille Plateaux
Pg. 37
O conceito deve dizer o acontecimento e não mais a essência.
Pg. 42
Conceitos com ressonância ou mesmo correspondência
científica.
Duas noções: umas exatas por natureza, outras fundamentalmente inexatas (por natureza)
Pg. 45
“ O que Guattari e eu chamamos de rizoma é precisamente um caso de sistema aberto.”
“ Um sistema é um conjunto de conceitos. Um sistema é aberto quando os conceitos são relacionados a circunstâncias, e não mais a essências.”
“... Mas, por um lado, os conceitos não são dados prontos, eles não preexistem: é preciso inventar, criar os conceitos, e nisso há tanta criação e invenção quanto na arte ou na ciência.”
“... Criar novos conceitos que tenham necessidade, sempre foi
essa a tarefa da filosofia.”
Pg. 46
“ Em Mille Plateaux tentamos dizer: o bom nunca está garantido (por exemplo, não basta um espaço liso para vencer as estrias e as coerções, nem um corpo sem órgãos para vencer as organizações)
Pg. 47
“ O que chamamos de um “mapa”, ou mesmo um “diagrama”, é um conjunto de linhas
diversas funcionando ao mesmo tempo (as linhas da mão formam um mapa).”
“... Acreditamos que as linhas são os elementos constitutivos das coisas e dos acontecimentos. Por isso cada coisa tem a sua geografia, sua cartografia, seu diagrama.”
“ ... nós definimos a “máquina de guerra” como um
agenciamento linear que se
constrói sobre linhas de fuga. Nesse sentido, a máquina de guerra não tem por objeto a guerra; ela tem por objeto um espaço muito especial, espaço liso, que ela compõe, ocupa e propaga. O nomadismo é precisamente esta combinação máquina de guerra – espaço liso.”
“... Uma máquina de guerra pode ser revolucionária, ou artística, muito mais que guerreira.”
Pg. 48
“ Não se pode dizer que as linhas de fuga sejam forçosamente criadoras; que os espaços lisos sejam melhores que os
segmentarizados ou estriados: como mostra
Virilio, o submarino nuclear reconstitui
um espaço liso a serviço da guerra e do terror. Numa cartografia, pode-se apenas marcar caminhos e movimentos com coeficientes de sorte e de perigo.”
TRÊS QUESTÕES SOBRE SEIS VEZES DOIS (GODARD)
Pg. 59
“ O uso do E em Godard é essencial... todo o nosso pensamento é mais modelado pelo verbo ser, pelo É.”
Pg. 60
O “E” é a diversidade, a multiplicidade, a destruição das identidades.
SOBRE A IMAGEM-TEMPO
Pg. 79
“ Toda a criação tem um valor e um teor políticos.”
“ O cérebro é a face oculta de
todos os circuitos, que podem fazer triunfar os reflexos condicionados mais rudimentares, tanto quanto dar uma oportunidade a traçados mais criativos, a ligações menos “prováveis”.” (massa de pão)
DÚVIDAS SOBRE O IMAGINÁRIO
Pg. 84
“ Será o “imaginário” um bom conceito? Inicialmente
há um primeiro par, “real-irreal”. Pode-se defini-lo à maneira de Bergson: o real é a conexão legal, o encadeamento
prolongado dos atuais; o irreal é a aparição brusca e descontínua à consciência, é
um virtual enquanto se atualiza. Além disso, há um outro par,
“verdadeiro-falso”. O real e o irreal são sempre distintos, mas a distinção entre os dois nem sempre é
discernível. Porém, precisamente, quando há falso, o verdadeiro por sua vez não é mais decidível. O falso não é um erro ou uma confusão, mas uma potência que torna o verdadeiro
indecidível.”
“ O imaginário é uma noção muito
complicada, porque está no entrecruzamento dos dois pares. O imaginário não é o irreal, mas a indiscernibilidade
entre o real e o irreal.
RACHAR AS COISAS, RACHAR AS PALAVRAS
In Libération, 2 e 3
de setembro de 1986, entrevista a Robert
Maggiori
Pg. 108/109
Deleuze sobre Foucault, Guattari, Schérer e Lyotard
“ Não possuíamos o gosto pelas abstrações, o Uno, o Todo, a Razão, O Sujeito. Nossa tarefa era analisar estados mistos, agenciamentos, aquilo que Foucault
chamava de dispositivos. Era preciso, não remontar aos pontos, mas seguir e desemaranhar as linhas: uma cartografia, que implicava
numa microanálise (o que Foucault chamava de microfísica do poder e Guattari, micropolítica do desejo). É nos
agenciamentos que encontraríamos focos de unificação, nós de totalização, processos de
subjetivação, sempre relativos, a
serem sempre desfeitos a fim de seguirmos ainda mais longe uma linha agitada. Não
buscaríamos origens mesmo perdidas
ou rasuradas, mas pegaríamos as coisas onde elas crescem, pelo meio: rachar as coisas, rachar as palavras. Não
buscaríamos o eterno, ainda que fosse a eternidade do tempo, mas a formação do novo, a emergência ou o Foucault
chamou de “a atualidade”.
OS INTERCESSORES
L’autre journal, no. 8. Outubro
de 1985, entrevista a Antoine Dulaure e Claire Parnet
Pg. 151
“ Se hoje em
dia o pensamento anda
mal é porque, sob
o nome de modernismo,
há um retorno às abstrações,
reencontra-se o problema das origens,
tudo isso...”
“ O fundamental é como
se fazer aceitar pelo movimento
de uma grande vaga,
de uma coluna de ar ascendente,
“chegar entre” em
vez de ser origem
de um esforço.”
Pg. 152
“... se as opressões são
tão terríveis é porque
impedem os movimentos, e não
porque ofendem o eterno.”
“refletir sobre” não
é criar, não é fazer
o movimento.
“ Filósofo não é reflexivo,
é um criador”
Bergson distingue a percepção,
afecção e ação como
três espécies do movimento.
Pg. 154
“ O que me
interessa são as relações
entre as artes, a ciência e a filosofia.
Não há nenhum privilégio
de uma destas disciplinas em
relação à outra. Cada
uma delas é criadora. O verdadeiro objeto
da ciência é criar funções,
o verdadeiro objeto
da arte é criar agregados
sensíveis e o objeto
da filosofia, criar conceitos.
“... podemos formular a questão
dos ecos e ressonâncias
entre elas.” (funções,
agregados e conceitos)
Pg. 155
“ transformação do padeiro” –
“ Ao cabo de um certo
número de transformações, dois pontos
estarão fatalmente em
duas metades opostas, por
mais próximos que
tenham estado no quadrado
original.”
Pg. 156
“ Assim, a filosofia,
a arte e a ciência entram em
relações de ressonância
mútua e em relações
de troca, mas a cada
vez por razões
intrínsecas.”
“... é preciso considerar
a filosofia, a arte e a ciência
como espécies de linhas
melódicas estrangeiras umas às outras e que não
cessam de interferir entre si.”
“ O essencial são
os intercessores. A criação
são os intercessores.
Sem eles não
há obra. Podem ser pessoas...
mas também coisas,
plantas, até animais,
como em Castanheda.”
“ Eu preciso
de meus intercessores
para me exprimir,
e eles jamais se
exprimiriam sem mim: sempre
se trabalha em vários,
mesmo quando isto
não se vê.”
Pg. 157
“ Essa idéia de que
a verdade não é algo
preexistente, a ser descoberto, mas
que deve ser criada
em cada domínio,
é evidente nas ciências,
por exemplo.”
Pg. 158
“ Creio que as pessoas
de direita
não têm ilusões, elas
não são mais
bobas que outras, mas
sua técnica é
opor-se ao movimento. (grifo meu)
“ A questão não
é tanto convencer, mas
ser claro. Ser “claro”
é impor os “dados” não
só de uma situação, mas
de um problema.”
Pg. 159
“ Então o papel
da esquerda, esteja ou
não no poder, é descobrir
um tipo de problema
que a direita quer
esconder a todo custo.”
Pg. 160
A crise da Literatura
de best-sellers.
“ Os Beckett ou os Kafka do futuro,
que justamente não
se assemelham nem a Beckett nem
a Kafka, correm o risco de não
encontrar editor, sem
que ninguém o perceba
por definição. Como
diz Lindin, “não se nota
a ausência de um desconhecido.”
Pg. 162
“ Do que se morre atualmente
não é de interferências,
mas de proposições que
não têm o menor interesse.
ora, o que chamamos
de sentido de uma proposição é o interesse
que ela apresenta, não
existe outra definição
para o sentido. Ele
eqüivale exatamente à novidade
de uma proposição. Podemos escutar as pessoas
durante horas: sem
interesse... Por isso
é tão difícil discutir,
por isso não
cabe discutir nunca. Não
se vai dizer a alguém: “o que
você diz não tem o menor
interesse”. Pode-se dizer: “está
errado”. Mas o que alguém
diz nunca está errado, não
é que esteja errado, é que
é bobagem ou não
tem importância alguma.” ... “ As noções
de importância, necessidade,
de interesse são mil
vezes mais determinantes
que a noção de verdade.”
Pg. 164
“ As possibilidades de criação
podem ser muito diferentes
segundo o modo de expressão
considerado, nem por isso
deixam de comunicar entre si,
na medida em que
todas juntas devem opor-se à instauração de um
espaço cultural de mercado
e de conformidade, isto
é, de “produção para o mercado”.
“ mutações qualitativas ou
das idéias, que são
questão de estilo...”
“ Todo novo estilo
implica não um “golpe”
novo, mas um
encadeamento de posturas, isto
é, um equivalente de sintaxe, que
se faz com base num estilo
precedente e em ruptura com
ele.”
Pg. 167
“ Se um criador
não é agarrado pelo
pescoço por um
conjunto de impossibilidades, não
é um criador. Um
criador é alguém que
cria suas próprias
impossibilidades, e ao mesmo tempo
cria um possível.”
“ O estilo,
então, tem necessidade
de muito silêncio e trabalho
para produzir um
turbilhão no mesmo lugar,
depois, lança-se como
um fósforo que
as crianças vão
seguindo na água da sargeta. Pois
certamente não é
compondo palavras, combinando frases,
utilizando idéias que
se faz um estilo. É preciso
abrir as palavras, rachar
as coisas, para que
se liberem vetores que
são os da Terra. Todo
escritor, todo criador
é uma sombra.”
SOBRE A FILOSOFIA
Magazine Littéraire, no. 257,
setembro de 1988, entrevista a
Raymond Bellour e François Ewald
Pg. 170
“ A filosofia
não é comunicativa, assim
como não é
contemplativa nem reflexiva:
ela é, por natureza,
criadora ou mesmo revolucionária,
uma vez que não
pára de criar novos conceitos.
A única condição é que
eles tenham uma necessidade,
mas também uma estranheza,
e eles as têm na medida
em que respondem a
verdadeiros problemas. O conceito
é o que impede que o pensamento
seja uma simples opinião,
um conselho, uma discussão,
uma tagarelice.”
Pg. 171
“ Os perceptos não
são percepções, são
pacotes de sensações
e de relações que
sobrevivem àqueles que
os vivenciam. Os afectos não são
sentimentos, são
devires que transbordam aquele
que passa por
eles (tornando-se outro).”
“... O afecto, o percepto e o conceito
são três potências
inseparáveis, potências
que vão da arte
à filosofia e vice-versa.”
Pg. 175
“ O estilo em
filosofia é o movimento
do conceito. Certamente,
este não existe fora
das frases, mas as frases
não têm outro objetivo
que não o dar-lhe vida,
uma vida independente.”
Pg. 176
“ O estilo é uma variação da língua,
uma modulação, e uma tensão
de toda a linguagem em
direção a um fora.”
Pg. 180
“ O anti-Édipo é uma ruptura que
se faz por si só,
a partir de dois temas:
o inconsciente não é um
teatro mas uma fábrica,
uma máquina de produzir; o inconsciente
não delira sobre papai
e mamãe, ele delira sobre
as raças, as tribos,
os continentes, a história
e a Geografia, sempre
um campo saciável.
Buscávamos uma concepção imanente,
uma utilização imanente das sínteses
do inconsciente, um produtivismo ou
construtivismo do inconsciente. Então
nos apercebíamos que
a psicanálise jamais
havia compreendido o que queria dizer
um artigo indefinido
(uma criança...), um devir
(os devires-animal, as relações com
o animal), um desejo,
um enunciado. Nosso
último texto sobre
a psicanálise é a propósito do Homem
dos lobos, em Mille
Plateaux: como ela é incapaz
de pensar o plural ou
o múltiplo, uma matilha
e não só um
lobo, um ossário e não
só um único
osso.”
Pg. 182
“ O abstrato nada
explica, devendo ele próprio ser
explicado: não há universais,
nada de transcendentes,
de Uno, de sujeito (nem
de objeto), de Razão,
há somente processos, que
podem ser de unificação, de subjetivação,
de racionalização, mas nada
mais. Esses
processos operam “multiplicidades” concretas,
sendo a multiplicidade o verdadeiro elemento
onde algo se passa.
São as multiplicidades que
povoam o campo de imanência, um
pouco como as tribos
povoando o deserto sem
que este deixe de ser
um deserto. E o plano de imanência
deve ser construído; a
imanência é um construtivismo e cada
multiplicidade assinalável é como uma região
do plano. Todos os processos
se produzem sobre o plano
de imanência e numa multiplicidade assinalável: as unificações,
subjetivações, racionalizações, centralizações não
têm qualquer privilégio,
sendo freqüentemente impasses
ou clausura que
impedem o crescimento da multiplicidade, o prolongamento
e o desenvolvimento de suas
linhas, a produção do novo.”
“ Quando se invoca uma transcendência,
interrompe-se o movimento, para introduzir
uma interpretação em vez
de experimentar.”
Pg. 184
“ Criar conceitos
é construir uma região do plano,
juntar uma região às
precedentes, explorar uma nova região,
preencher a falta. O conceito
é um composto, um
consolidado de linhas, de curvas.
Se os conceitos devem renovar-se constantemente,
é justamente por que
o plano de imanência se constrói por
região, havendo uma construção local,
de próximo em próximo.”
“ O que para
mim substitui a reflexão
é o construcionismo. E o que substitui a comunicação
é uma espécie de expressionismo.”
“... Creio ter encontrado um
conceito de Outrem ao
defini-lo como não
sendo nem um objeto
nem um sujeito
(um outro sujeito),
mas como sendo a expressão
de um mundo possível.
“ Mesmo dessa maneira
muito sumária, a inclusão
dos mundos possíveis
no plano de imanência faz do expressionismo
o complemento do construtivismo.”
CARTA A RÉDA BENSMÏA, SOBRE
ESPINOZA
Lendemains, no. 53, 1989
“ ... o conceito não
se move apenas em si
mesmo (compreensão
filosófica), mas também
nas coisas e em nós:
ele nos inspira novos
perceptos e novos
afectos, que
constituem a compreensão não
filosófica da própria filosofia.
E a filosofia precisa
de compreensão não
filosófica tanto quanto
de compreensão filosófica.”
“ O estilo em
filosofia tende para esses
três pólos: o conceito
ou novas maneiras
de pensar, o percepto ou novas
maneiras de ver e ouvir,
o afecto ou novas maneiras
de sentir. É a trindade filosófica,
a filosofia como ópera:
os três são necessários
para produzir o movimento.”
CONTROLE E DEVIR
Futur Antérieur, nº1, primavera
de 1990, entrevista a Toni Negri. (sobre
Antonio Negri, autor de O Império
estudamos sobre professor militante
e professor profeta)
Pg. 210
O que
a história capta do acontecimento
é sua efetuação em
estados de coisa, mas
o acontecimento em seu
devir escapa à história.
A história não é a
experimentação, ela é apenas
o conjunto das condições
quase negativas que
possibilitam a experimentação de algo que
escapa à história. Sem
a história, a experimentação permaneceria indeterminada,
incondicionada, mas a experimentação não
é histórica.
Pg.212
Mille Plateaux indica
muitas direções, sendo estas três
principais: primeiro, uma sociedade
nos parece definir-se menos
por suas contradições
que por suas
linhas de fuga, ela
foge por todos os lados,
e é muito interessante tentar acompanhar
em tal ou
qual momento as linhas
de fuga que se
delineiam.
Mas
a surpresa pode vir por
parte das explosões entre
os jovens, as mulheres,
em função da simples
ampliação dos limites
(isto não é
“tecnocratizável”).
Há uma outra
direção em Mille Plateaux, que já
não consiste apenas em
considerar as linhas de fuga
mais do que as contradições,
porém as minorias de preferências
às classes. Enfim,
uma terceira direção, que
consiste em buscar um
estatuto para as “máquinas
de guerra”, que não
seriam definidas de modo algum
pela guerra, mas
por uma certa maneira
de ocupar, de preencher o espaço-tempo, ou
de inventar novos espaços-tempos:
os movimentos revolucionários
(não se leva em
conta o suficiente, por
exemplo, como a OLP
teve que inventar um
espaço-tempo no mundo árabe), mas
também os movimentos artísticos
são máquinas de guerra.
Pg.213
“A vergonha
de ser um homem”.
Vergonha
por ter havido homens
para serem nazistas, vergonha
de Ter feito concessões,
é tudo o que o Primo
Levi chama de “zona cinza”.
No capitalismo
só uma coisa é universal, o mercado.
Não existe Estado universal,
justamente porque
existe um mercado universal
cuja as sedes são
os Estados, as Bolsas.
Os direitos
do homem não nos
obrigarão a abençoar as “alegrias”
do capitalismo liberal
do qual eles
participam ativamente. Não
há Estado democrático
que não seja totalmente
comprometido nesta fabricação da miséria
humana.
Já
não dispomos da imagem
de um proletário a quem
bastaria tomar consciência.
Pg.214
Existe um modo para que a massa de singularidades e de átomos, que somos todos, possa se apresentar como poder constituinte,
ou, ao contrário, devemos
aceitar o paradoxo jurídico segundo o qual o poder constituinte só pode ser definido pelo poder constituído?
- As minorias
e as maiorias não se
distinguem pelo número. Uma minoria
pode ser mais numerosa
que uma maioria. O que
define a maioria é um modelo ao qual
é preciso estar conforme:
por exemplo, o europeu
médio adulto macho
habitante das cidades...Ao
passo que uma minoria
não tem modelo, é um
devir, um processo.
Pode-se dizer que a maioria
não é ninguém. Todo
mundo, sob um
ou outro aspecto,
está tomado por um devir
minoritário que o arrastaria por
caminhos desconhecidos
caso consentisse em
segui-lo. Quando uma minoria
cria para si
modelos, é porque quer
tornasse majoritária, e sem
dúvida isso é inevitável
para sua sobrevivência
ou salvação (por exemplo,
ter um Estado,
ser reconhecido, impor seus
direitos). Mas sua
potência provém do que
ela soube criar, e que
passará mais ou menos
para o modelo, sem
dele depender. O povo
é sempre uma minoria
criadora, e que permanece tal,
mesmo quando conquista
uma maioria: as duas coisas
podem coexistir porque não
são vividas no mesmo plano.
Pg.215
Na utopia
marxiana dos Grundrisse, o comunismo se
configura justamente como uma organização transversal
de indivíduos livres, sobre uma base técnica que lhe garante as condições. O comunismo ainda é pensável? Na sociedade da comunicação ele é menos utópico que antes?
Foucault é com
freqüência considerado como
o pensador das sociedades
de disciplina, e de sua
técnica principal, o confinamento (não
só o hospital e a prisão,
mas a escola, a fábrica,
a caserna).
Pg.216
Estamos
entrando nas sociedades de controle,
que funcionam não mais
por confinamento, mas
por controle contínuo
e comunicação instantânea.
Burroughs começou a análise da situação.
Certamente, não se
deixou de falar da prisão, da escola,
do hospital: essas instituições
estão em crise. Mas
se estão em crise, é precisamente
em combates de retaguarda.
O que está sendo implantado, ás cegas,
são novos tipos
de sanções, de educação,
de tratamento. Os hospitais
abertos, o atendimento a domicílio,
etc., já surgiram há muito
tempo. Pode-se prever que
a educação será cada vez
menos um meio
fechado, distinto do meio
profissional -, mas que
os dois desaparecerão em favor
de uma terrível formação
permanente, de um controle
contínuo se exercendo sobre
o operário-aluno ou o executivo-universitário.
Tentam nos fazer acreditar
numa reforma da escola, quando
se trata de uma liquidação.
A cada
tipo de sociedade, evidentemente,
pode-se fazer corresponder um
tipo de máquina: as máquinas
simples ou dinâmicas
pra as sociedades
de soberania, as máquinas
energéticas pra disciplina,
as cibernéticas e os computadores
parra as sociedades de controle.
É verdade
que, mesmo antes
das sociedades de controle
terem efetivamente se organizado, as formas
de delinqüência ou de resistência
(dois casos distintos)
também aparecem. Por exemplo,
a pirataria ou os vírus
de computador, que
substituirão as greves e que
no século XIX se chamava de “sabotagem” (o tamanco
– sabot- emperrando a máquina).
Pg.217
Você pergunta se as sociedades
de controle ou de comunicação
não suscitarão formas
de resistência capazes de dar
nova oportunidade a um
comunismo concebido como
“organização transversal
de indivíduos livres”.
Não sei, talvez. Mas
isso não dependeria
de as minorias retomarem a palavra.
Talvez a fala, a comunicação,
estejam apodrecidas. Estão inteiramente penetradas
pelo dinheiro: não
por acidente, mas
por natureza.
O importante talvez
venha a ser criar vacúolos de
não-comunicação, interruptores, para
escapar ao controle.
Pg.218
Eles
(os acontecimentos) se elevam por
um instante, e é este
momento que é importante,
é a oportunidade que
é preciso agarrar.
Subjetivação,
acontecimento ou cérebro,
parece-me que é um pouco
a mesma coisa. Acreditar
no mundo é o que mais
nos falta; nós
perdemos completamente o mundo,
nos desapossaram dele. Acreditar
no mundo significa principalmente
suscitar acontecimentos, mesmo
pequenos, que escapem
ao controle, ou engendrar
novos espaços-tempos, mesmo
de superfície ou volume
reduzidos.
É ao nível
de cada tentativa que
se avaliam a capacidade de resistência
ou, ao contrário, a submissão
a um controle.
Necessita-se ao mesmo tempo
de criação e povo.
POST-SCRIPTUM
Sobre as sociedades
de controle
In L’Autre Journal, nº1,
maio de 1990
Pg.219
Foucault situou as sociedades disciplinares
nos séculos XVIII
e XIX; atingem seu apogeu
no início do século
XX. Elas procedem à organização
dos grandes meios de confinamento.
Mas o que
Foucault também sabia era
da brevidade deste modelo: ele
sucedia às sociedades de soberania cujo objetivos
e funções eram completamente
diferentes (açambarcar, mais
do que organizar a produção,
decidir mais sobre
a morte do que gerir
a vida).
Pg.222
“Nas sociedades de controle,
ao contrário, o essencial
não é mais uma assinatura
e nem um número,
mas uma cifra: a cifra
é uma senha,
ao passo que as sociedades
disciplinares são
reguladas por palavras de ordem (tanto
no ponto de vista da integração
quanto da resistência). A linguagem
numérica do controle é feita de cifras,
que marcam o acesso à
informação, ou a
rejeição.”
Pg.223
“O homem da disciplina
era um produtor
descontínuo de energia,
mas o homem do controle
é antes ondulatório, funcionando em
órbita, num feixe contínuo.”
“É fácil fazer
corresponder a cada
sociedade certos tipos
de máquina, não porque
as máquinas sejam determinantes,
mas porque elas
exprimem as formas sociais
capazes de lhes darem
nascimento e utilizá-las. As antigas sociedades de
soberania manejavam máquinas
simples, alavancas roldanas,
relógios; mas as sociedades
disciplinares recentes
tinham por equipamento
máquinas energéticas,
com o perigo passivo
da entropia e o perigo
ativo da sabotagem; as sociedades
de controle operam por
máquinas de uma terceira
espécie, máquinas de informática
e computadores, cujo perigo
passivo é a interferência,
e, o ativo, a pirataria
e a introdução de vírus.
Não é uma evolução tecnológica
sem ser, mais
profundamente, uma mutação
do capitalismo.”
“... o capitalismo do século
XIX é de concentração, para a produção,
e de propriedade. Por
conseguinte, erige a fábrica
como meio de confinamento,
o capitalista sendo o proprietário
dos meios de produção, mas
também eventualmente proprietário
de outros espaços
concebidos por analogia
(a casa familiar do operário,
a escola). Quanto ao mercado,
é conquistado ora por
especialização, ora por
colonização, ora por
redução dos custos de produção. Mas
atualmente o capitalismo
não é mais dirigido para
a produção, relegada com freqüência
à periferia do Terceiro
Mundo, mesmo sob
as formas complexas de têxtil,
da metalurgia ou do petróleo.
É um capitalismo de
sobre-produção. Não compra
mais matéria-prima e já
não vende produtos acabados:
compra produtos acabados,
ou monta peças
destacadas. O que ele
quer vender são
serviços, e o que quer
comprar são ações.
Já não é um
capitalismo dirigido para a produção,
mas para o produto,
isto é, para a venda
ou para o mercado.
Por isso ele
é essencialmente dispersivo,
e a fábrica cedeu lugar
à empresa.”
Pg.224
“ O controle é de curto
prazo e a rotação rápida,
mas também contínuo
i ilimitado, ao passo que
a disciplina era de longa
duração, infinita e descontínua.
O homem não é mais
o homem confinado, mas
o homem endividado. É verdade que
o capitalismo manteve como
constante a extrema miséria
de três quartos da humanidade,
pobres demais para
a dívida, numerosos demais
para o confinamento: o controle
não só terá que
enfrentar a dissipação das fronteiras,
mas também a explosão
dos guetos e favelas.”
Pg. 225
“ No regime das prisões: a busca de penas
“substitutivas”, ao menos para a pequena
delinqüência, e a utilização de coleiras
eletrônicas que
obrigam o condenado a ficar em casa
certas horas. No regime das escolas:
as formas de controle
contínuo, avaliação contínua,
e a ação de formação permanente
sobre a escola, o abandono
correspondente de qualquer
pesquisa na Universidade,
a introdução da “empresa” em
todos os níveis da escolaridade.
No regime dos hospitais: a nova medicina
“ sem médico nem
doente”, que resgata doentes
potenciais q sujeitos
à risco, que de modo
algum demonstra um progresso
em direção á individuação, como
se diz, mas substitui o corpo
individual ou
numérico pela cifra
de uma matéria “dividual” a ser
controlada. No regime de empresa: as novas maneiras
de tratar o dinheiro, os produtos
e os homens, que já
não passam pela antiga
forma-fábrica. São exemplos
frágeis, mas que
permitiriam compreender melhor o que
se entende por crise
das instituições, isto
é, a implantação progressiva
e dispersa de um novo
regime de dominação.”
“ Uma das questões mais
importantes diria respeito
à inaptidão dos sindicados: ligados, por
toda a sua história,
à luta contra disciplinas
ou nos meios
de confinamento, conseguirão adaptar-se ou
cederão o lugar a novas
formas de resistência contra
as sociedades de controle?”
“Pg. 226
“ Muitos jovens
pedem estranhamente para serem
“motivados”, e solicitam novos estágios
e formação permanente;
cabe a eles descobrir a que
estão sendo levados a servir, assim
como seus antecessores
descobriram, não sem dor,
a finalidade das disciplinas.”
A VIDA COMO
OBRA DE ARTE
Le Nouvel Observateur, 23 de agosto
de 1986, entrevista a Didier Eribon.
Pg. 118
“ A lógica de um
pensamento é como um
vento que nos
impele, uma série de rajadas
e de abalos.
Pg. 119
“ A história, segundo
Foucault, nos cerca e
nos delimita; não diz
o que somos, mas aquilo
de que estamos em vias
de diferir; não estabelece nossa
identidade, mas a
dissipa em proveito
do outro que somos.
“ Pensar é, primeiramente,
ver e falar, mas
com a condição de que
o olho não permaneça
nas coisas e se eleve até
as “visibilidades”, e de que a linguagem
não fique nas palavras
e frases e se eleve até
os enunciados. É o pensamento como arquivo.” (grifo meu)
(procurar também por
pensar)
“... Além disso, pensar
é poder, isto é, estender
relações de força ...
que... não se reduzem
à violência, mas
constituem ações sobre
ações, ou seja atos,
tais como “incitar,
induzir, desviar, facilitar ou
dificultar, ampliar ou
limitar, tornar mais
ou menos provável...”
É o pensamento como estratégia.” (grifo meu)
Pg. 120
Pensamento como
“processo de subjetivação” como constituição
de modos de existência ou, como
dizia Nietzsche, a invenção
de novas possibilidades de vida.
A existência